árvores em literatura

ÁRVORES EM LITERATURA

Árvores em Verso, Árvores em prosa

 

Porque prezamos a árvore e a literatura também, julgámos normal criar uma página dedicada à confluência dos dois temas através duma colectânea de poemas e de prosas sobre o reino vegetal. Os textos podem ter por assunto central a temática da árvore, abordar esta em segundo plano ou tê-la simplesmente como pano de fundo. Todos os textos revelam a expressão da “alma portuguesa”, que nos primórdios da nacionalidade partilhámos com os galegos. Assim sendo, revela-se uma visão genuína do reino vegetal que escritores e poetas lusos exprimiram ao longo dos séculos. Sensibilidade pessoal e própria de cada época, que modificaram com o decorrer do tempo.

Devemos também dizer, que perante as incessantes reformas ortográficas da nossa Língua durante o século passado e princípios deste, optámos por transcrever alguns excertos no respeito da ortografia original.

Fazêmo-lo sem nostalgia, mas cientes que as sucessivas ortografias queirmaram as raízes e desfiguraram a bela feição gráfica da língua. Da mesma maneira que em geral temos parecências com os nossos pais, também o português guardou os traços das línguas-mãe, basicamente o latin e o grego. Leia o poema “Ha metaphysica…” e verá que o impacto visual desta grafia é inigualável à deslavada actual ortografia de “metafísica”. A grafia dos fonemas não é apenas um código, que levado à simplificação, perde-nos. A forma das letras utilizadas, também tem o seu quê! Dando-lhe força, impacto e feição, o que será sempre preferível à vulgar “norma do dia”, votada por deputados.

Sem querer impor comentários pessoais, convidamos a procurar na leitura ao acaso dos trechos apresentados a vossa própria interpretação da forma como individualmente e colectivamente encaramos, pensamos, imaginamos e vemos a árvore, os bosques e as florestas.

(Esta página está aberta às vossas produções)

 

Pela Pátria

Ouve, meu Filho: cheio de carinho,
Ama as Árvores, ama. E, se puderes,
(E poderás: tu podes quanto queres!)
Vai-as plantando à beira do caminho.

Hoje uma, outra amanhã, devagarinho.
Serão em fruto e em flor, quando cresceres.
Façam os outros como tu fizeres:
Aves de Abril que vão compondo o ninho.

Torne fecunda e bela cada qual,
a terra em que nascer: e Portugal
Será fecundo e belo, e o mundo inteiro.

Fortes e unidos, trabalhai assim…
– A Pátria não é mais do que um jardim
Onde nós todos temos um canteiro.

António Corrêa d’Oliveira (1879-1960),
in “Antologia Poética”

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