Sambucus lanceolata – Sabugueiro Madeirense

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Ruscus aculeatus – Gilbardeira
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Sambucus nigra – Sabugueiro
17 Abril 2016

Sabugueiro Madeirense - Sabugueiro

ABREVIADO

O sabugueiro madeirense, é um elegante e raro arbusto da Laurissilva do til. Vive nas zonas altas e húmidas da ilha da Madeira ou junto às linhas de água. Talvez seja essa uma das causas que o torna pouco conhecido entre nós.
Porém, a sua abundante floração creme seguida da frutificação colorida no fim do Verão, chama a atenção e encontra o mais belo efeito em qualquer jardim insular. A outra característica do sabugueiro-madeirense é de ser uma das raras árvores nativa de folha caduca da flora madeirense, pois a maioria das plantas que cresce no arquipélago, tem folha perene.
Este sabugueiro, é um endemismo madeirense morfologicamente semelhante ao sabugueiro do continente (Sambucus nigra) que encontramos no resto da Europa. Como saber então distinguir facilmente um do outro? Comece por observar as folhas, estas são integralmente glabras, o que não é o caso do sabugueiro comum. A outra diferença provém da cor dos frutos, que no caso do sabugueiro insular são geralmente amarelados e muito doces. Quanto às flores, a espécie local possui flores pouco perfumadas.

 

DESCRIÇÃO

Espécie arbustiva a arborescente de folha caduca, não excedendo 7 metros de altura, mas frequentemente tem porte arbustivo inferior a 5 metros. Possui copa densa, arredondada a irregular; caules ocos e frágeis com ritidoma glabro, branco-acinzentados, ramos e galhos fracos e quebradiços.

Folhas compostas, imparipinuladas, geralmente com 5-7(11) folíolos opostos, quase sésseis, acuminados, margens serradas, oblongos a oblongo-lanceolados de 2-17,5×1,5-7 cm; ocasionalmente assimétricos na base com ausência de estípulas e de pubescências em ambas as páginas.

As inflorescências dispostas em corimbos amplos de 13 a 16 cm de largura, têm cinco raios principais rígidos e compõem-se de numerosas flores hermafroditas regulares, 5 pétalas, 5 sépalas e 5 estames amarelados, cremes ou esbranquiçadas com cerca de 6 mm diâmetro; são pouco perfumadas.

Floração de Maio a Junho.

Drupas agrupadas em corimbos pendentes, globosas, brilhantes, cinzento-amareladas ou verde-amareladas pálido, raramente negras na maturação que sucede a partir de Agosto. Os frutos são comestíveis e mais doces que os do sabugueiro (Sambucus nigra).

Tronco e ramos são glabros, branco-acinzentados. Com a idade o ritidoma lenticelado, torna-se gretado com sulcos longitudinais.

 

ECOLOGIA

É uma espécie endémica da Ilha da Madeira que aprecia a meia-luz (em locais abertos na floresta da Laurissilva); desenvolve-se em solos frescos e ricos em húmus, vales húmidos, linhas de água no interior da Floresta da Laurissilva ripária. Ocorre até aos 1100 m de altitude; também é cultivado em jardins particulares nas zonas mais altas da ilha.

Propaga-se por semente, por estaca, renova bem pelo cepo

 

DISTRIBUIÇ­ÃO

É um endemismo madeirense que vai dos 300 aos 1100 m de altitude. Espécie rara, ao abrigo dos estatutos impostos para a Floresta da Laurissilva.

 

USOS

Possui madeira dura, mas quebradiça, com utilização em embutidos.

As bagas quando maduras, são doces e ricas em vitamina C, são muito saborosas e podem ser apreciadas desde finais de Agosto e durante o mês de Setembro. De notar que flores e folhas são utilizadas na medicina caseira.

 

ADICIONAL

Nas últimas décadas constatou-se a introdução do sabugueiro europeu (Sambucus nigra) na Madeira, sobretudo na zona de Funchal. Planta que se Encontra hoje cultivada em jardins, e naturalizada em margens de estradas e caminhos. A razão desta introdução, ao que parece, é devida ao potencial que tem como planta medicinal de uso comum no continente. Desta forma, está a substituir muitas vezes o sabugueiro madeirense, também de méritos reconhecidos na medicina caseira.

Rui Manual da Silva Vieira, 2002 – Flora da Madeira, plantas vasculares naturalizadas no arquipélago da Madeira – Museu Municipal do Funchal – Suplemento n° 8

 

Visite o sítio “Endemismos Vegetales de Canarias”

Queremos agradecer Gerardo García Casanova, que gentilmente cedeu algumas das fotografias do sabugueiro da madeira, que ilustram esta ficha. Convidamos os curiosos e amorosos da flora das Canárias a visitar o seu sítio Endemismos vegetales de Canarias ; amplamente ilustrado, apresenta as maravilhas botânicas do arquipélago das Canárias.

 

Anedótico

Se acompanhou a saga de “Harry Potter”, certamente que se lembra que a varinha mais poderosa deste Mundo Mágico, é uma varinha feita de sabugueiro conhecida como a “varinha das varinhas”, ou ainda, “a varinha da morte”, (Elder Wand).

 

Família: ADOXACEAE

Nome científico:

Sambucus lanceolata R.Br.

Publicação: 1828

Grupo: folhosa caduca

Nomes vernáculos:

sabugueiro, sabugueiro madeirense, sabugueiro-da-madeira

 

 

 

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