Pinus pinea – Pinheiro-manso

pinhal pinheiro-bravo, formação espontânea - Pinus pinaster
Pinus pinaster – Pinheiro-bravo
15 Abril 2016
inflorescências masculinas de pinheiro-silvestre – Pinus sylvestris
Pinus sylvestris – Pinheiro-silvestre
15 Abril 2016

Pinheiro-manso

 

Família: PINACEAE

Nome científico: Pinus pinea L.

Publicação: 1753

Grupo: conífera perene

Nomes vernáculos: pinheiro-manso

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Hábito: o pinheiro-manso é uma conífera de porte mediano até 25 m de altura, ou mais. Possui copa densa, ampla, arredondada em forma de guarda-sol nos indivíduos adultos e esférica nos sujeitos jovens, muito característica da paisagem mediterrânea com alto fuste direito ou levemente flexuoso e robusto. Tronco coberto por ritidoma espesso, castanho-avermelhado, depois acinzentado e profundamente fendido com a idade. Pernadas grossas viradas para cima;  ramos em ângulo agudo, e raminhos curvos, glabros, cinzento-esverdeado-pálido. Ramificação densa verde intenso.

 

Folhas: folhas persistentes, em forma de agulhas – aciculares – contendo canais resiníferos marginais, agrupadas aos pares com 10 a 18 cm de comprimento e 1.5-2 mm de largura, ligeiramente torcidas, agudas, encurvadas em goteira, flexíveis, luzidias, de cor verde-acinzentadas, persistem três a quatro anos.

Flores: floração monóica. Flores masculinas dispostas em inflorescências amarelas com forma de espiga na base dos raminhos do ano; flores femininas, verdes, erguidas sobre curto pedúnculo, dispostas em inflorescências na extremidade do rebento anual. A floração ocorre de Março a Maio, enquanto que a maturação das pinhas dá-se três anos mais tarde.

Frutos: as pinhas ou cones, são grandes de forma ovóides, sub-globosas com 7-13 x 7-10 cm, de base plana, sub-sésseis, primeiro verdes, depois castanho-avermelhadas brilhante na maturação que dura três anos após a fertilização dos óvulos. As escamas têm um escudo proeminente, sob as quais se encontram duas sementes (pinhões) ovóide-elipsóides, de 1,5 a 2 cm de comprimento, com asa pequena e testa lenhosa.

Frutifica a partir dos 10-15 anos, mas só a partir dos 20 anos o faz em abundância.

Gomos: cilíndricos, pontiagudos, castanho-avermelhados, com escamas franjadas de branco.

Ritidoma: profundamente fendido longitudinalmente, escamoso, de cor castanho-acinzentado no exterior e deixando grandes placas a descoberto vermelho–alaranjadas.

 

Habitat: árvore de plena luz, heliófila, que requer luz abundante e um clima algo quente, não suportando geadas fortes e contínuas. Espécie muito frugal e excelente pioneira em solos pobres em húmus, aceita vários tipos de solo, embora os prefira siliciosos, arenosos leves, incluindo areias marítimas e dunas fixas. Exige calor e humidade atmosférica; resiste bem à seca, apreciando pluviosidade entre 400 e 800 mm e possui grande resistência ao vento, não indo além dos 1000 m de altitude.

Encontra-se naturalmente misturado com o pinheiro bravo, azinheira, sobreiro e outros carvalhos.

Árvore de crescimento lento (5 m aos 20 anos), mas de longevidade média, cerca de 250 anos.

Propagação: propaga-se unicamente por semente.


 

Distribuição geográfica: espécie originária da zona ocidental do Mediterrâneo: Sudoeste da Europa e Norte de África. Actualmente muito espalhada por toda a bacia mediterrânica.

Em Portugal: é espontânea em Portugal, grande parte da área do pinheiro-manso, concentra-se a sul do Tejo, principalmente nos distritos de Setúbal, Évora, Faro e a norte do Tejo no distrito de Santarém, mas na realidade encontra-se em todo o litoral e interior do País, sempre que as condições fito-climáticas o permitem como na Beira Alta e Ribatejo.

 

Usos: recentemente, tem vindo a ter certo interesse como essência florestal. O interesse económico dos extensos pinhais mansos reside no aproveitamento dos pinhões: sementes comestíveis, ricas em nutrientes, oleaginosas, utilizadas em doçaria e na confecção de alguns pratos gastronómicos, ou como aperitivos. Observa-se que nestes últimos anos, assiste-se a novas plantações de pinheiro-manso.

Emprega-se a sua madeira em vigamentos, carpintaria, pavimentos e construção naval; com o seguinte aspecto: tom castanho-avermelhado ou vermelho intenso, alburno branco rosado ou dourado.

 

árvore de grande valor ornamental

Árvore elegante, de grande valor paisagístico e ornamental, desde a antiguidade seduziu os homens pela forma da sua copa abobadada em forma de “guarda-sol” inconfundível, continua a ser utilizada em alamedas e jardins, proporcionando uma sombra densa e agradável.

Também tem acção protectora dos solos arenosos, designadamente na fixação das dunas, permite obter rendimento florestal em terrenos pobres, pouco ou nada produtivos.

Resiste à poluição urbana.