Jasminum fruticans – Jasmineiro-do-Monte

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Jasmineiro-do-Monte, Jasmineiro-do-Campo

JASMINEIRO-DO-MONTE

O jasmineiro-do-monte é o único jasmineiro que cresce naturalmente em Portugal continental. Humilde arbusto de clima mediterrânico, aparece de norte a sul do País, de forma descontínua. As pequenas folhas trifoliadas verde-intenso e as flores amarelo luminoso que irrompem na Primavera, atraem o olhar. Tem sido, no entanto, pouco aproveitado como planta ornamental entre nós! Será devido à fraca fragrância das suas flores? Talvez, pois contrariamente aos jasmineiros de jardim com flores muito perfumadas, o giestó encanta mais o nosso olhar que qualquer outro sentido. Já os jasmineiros endémicos da Madeira possuem perfumes exuberantes e requintados.

 

 DESCRIÇÃO

Hábito: Subarbusto perenifólio, muito ramificado e denso desde o colo, de 1 a 3 metros de altura, por 2 m de diâmetro. Caules erectos ou patentes e inermes, ramos estriados-angulosos, quebradiços, verdes e glabros.

Folhas alternas, subcoriáceas e curtamente pecioladas; glabras, verde brilhante na página superior e verde-escuro na inferior, com a nervura mediana salientes. As folhas compostas, são geralmente trifoliadas, cada um dos 3 folíolos oblongos ou ovado-lanceolados, inteiros e obtusos; o folíolo terminal tem 0,5-3 x 0,2-1,5 cm, enquanto os laterais são um pouco menores. As folhas são perenes, ou semi-perenes em áreas com invernos frios.

A inflorescência é constituída por 1 a 5 flores reunidas numa cimeira axilar ou terminal. Flores hermafroditas com um cálice tubular curto e verde, composto por cinco dentes longos e estreitos. A corola amarela de tubo estreito e comprido (0,8-1,5 cm) termina em cinco lobos, com a base por vezes listrada de laranja, levemente mais curtos que o tubo e ligeiramente reflexos. O cálice da corola está associado a 2 estames e 2 carpelos, com as anteras visíveis à entrada do tubo. A floração ocorre de Março a Julho. As flores são pouco aromáticas ou com um perfume muito ténue.

O fruto é uma baga globosa de 0,7 x 1,3 cm, por vezes com um estrangulamento vertical enquanto se desenvolvem os dois óvulos, de cor negra e brilhante quando madura. Os frutos venenosos para os humanos, permanecem na planta durante o Outono e parte do Inverno, que as aves ao ingerir acabam por dispersar. Contem 1-4 sementes pardas, de secção elíptica e comprimidas.
Frutifica em Agosto-Setembro.

Apresenta ritidoma verde-acinzentado, liso, com os ramos delgados, quadrangulares e nervurados.

 

ECOLOGIA

O jasmineiro-do-monte é um subarbusto da bacia mediterrânica que surge em zonas abertas, em sebes e orlas de bosques perenifólios pouco densos – azinhais – matagais esclerófilo e encostas erodidas. Pode ser encontrado em diferentes tipos de substratos, com preferência pelos calcários, incluindo os pedregosos. Com boa adaptação à seca, desenvolve-se em estações quentes, solarengas ou de meia-sombra. Tem boa resistência a temperaturas negativas. Em Portugal ocorre sobretudo de 0 a cerca de 500 m de altitude, podendo chegar aos 1800 metros de altitude em zonas montanhosas europeias.
Longevidade superior a 15 anos.
Propaga-se por semente, estaca e mergulhia

 

 DISTRIBUIÇ­ÃO

Disseminado em toda a área do Mediterrâneo, mas ausente na maioria das ilhas. Cresce no Norte de África, Sudoeste Asiático: Israel, Jordânia, Líbano, Síria, Irão, Turquia, Cáucaso e Europa: Grécia, Albânia, Bulgária, Roménia, ex-Jugoslávia, Itália, França, Espanha e Portugal.

É uma planta autóctone em Portugal, podendo ser encontrada de norte a sul do país. Distribui-se desde Trás-os-Montes ao Algarve, mas de forma descontínua. Não é particularmente abundante, a não ser nalguns locais, como na Serra da Arrábida, partes do Algarve e sul da Beira Litoral. Desenvolve-se particularmente bem nas margens de cursos de água, onde pode formar moitas densas.

 

USOS

Se a madeira do jasmineiro-do-campo, não tem proveito conhecido para a indústria madeireira, este jasmineiro, devido ao seu sistema radicular é um bom estabilizador de encostas, onde muitas vezes se desenvolve, evitando a erosão do solo.

É também uma planta tipicamente mediterrânica ocasionalmente cultivada como ornamental, isolada, ou em sebes e maciços. Não necessita de grandes cuidados. Todavia, de entre os diferentes jasmineiros, é um dos que possui menor aroma, mas a beleza das suas flores amarelas não deixa de atrair inúmeros insectos polinizadores.

Resistente à poluição urbana.

 

ADICIONAL

presença de folhas alternas no jasmineiro-do-campo, é um facto marcante

O facto de o jasmineiro do campo, possuir folhas alternas (característica pouco comum na família Oleaceae, na qual quase todos as espécies têm folhas opostas), é um elemento marcante que ajuda a distingui-lo de outros jasmineiros não nativos da flora portuguesa, presentes no território continental. No entanto, partilha esta particularidade com o jasmineiro-amarelo (Jasminum odorantissimum), espécie endémica dos arquipélagos das Canarias e da Madeira.

 

Jasmineiro-do-Monte e Heterostilia

A heterostilia é uma forma de polimorfismo floral de certas espécies. No caso do jasmineiro-do-monte, os morfos florais diferem no comprimento do pistilo e dos estames. Temos portanto, dois tipos de flores: quando os estames são mais longos que o pistilo, a flor é designada por flor longistílica e quando os estames são mais longos que o pistilo, temos uma flor brevistílica. Cada individuo tem flores de um só tipo.
Esta disposição dos órgãos de reprodução, tem a vantagem de “forçar” os insectos a polinizar apenas as flores com morfo compatível, é a fecundação cruzada. Desta forma, o pólen originário de um estame longo atingirá preferencialmente pistilos longos e não os curtos, e vice-versa; este mecanismo impede assim, a polinização entre flores de um mesmo pé, pois como já dito, cada individuo tem flores de um só tipo.

 

Família: OLEACEAE

Nome científicoJasminum fruticans L.

Publicação: 1753

Grupo: folhosa perene

Nomes vernáculos: jasmineiro-do-campo, jasmineiro-do-monte, jasmim, giestó, escobajo, galinha-gorda

 

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