Quercus pyrenaica – Carvalho-negral, Carvalho-pardo

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Carvalho-negral

 

Família: FAGACEAE

Nome científico: Quercus pyrenaica Willd.

Publicação: 1805

Grupo: folhosa caduca

Nomes vernáculos: carvalho-negral, carvalho-pardo, carvalho-das-beiras, carvalho-pardo-da-beira, carvalho-pardo-do-minho

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Hábito: o carvalho negral é uma árvore caduca e marcescente pois as folhas permanecem na árvore mesmo depois de secas, com um porte médio de 20 m, podendo chegar aos 25 m de altura. A copa é ampla e arredondada, ou ovóide; quando novo tem as pernadas ascendentes e patentes em adulto; os raminhos são densamente tomentosos e aveludados, com ramificações e folhagem abundante e densa. O tronco é direito ou irregular, ritidoma pouco espesso, acinzentado e gretado em placas.

 

Folhas: simples, alternas, lobadas, subcoriáceas, variam muito quanto ao recorte e às dimensões: podem ser penatifendidas ou penatipartidas, fendidas em 5 a 8 pares de lóbulos irregulares, estreitos e profundos por vezes até à nervura; aquando do desabrolhar têm a página superior cinzento-rosada, muito tomentosa, depois passa a verde-escuro, sem brilho, em seguida torna-se glabra enquanto que a página inferior permanece densamente tomentosa-felpuda, com pêlos estrelados. O pecíolo é igualmente tomentoso a glabrescente. As dimensões das folhas têm uma amplitude de variação que depende muito das formações a que pertencem, de 6 a 20 cm de comprimento e 3 a 14 cm de largura.

Flores: floração entre Abril e Junho. As flores masculinas amarelas estão dispostas em amentilhos com 5 a 10 cm de comprimento, as femininas esverdeadas, insignificantes, aparecem num curto pedúnculo no mesmo pé.

Frutos: bolota ou glande bastante variável de 1,5 a 4,5 cm, podendo ser elipsóide, cilíndrica ou subglobosa, arredondada no cimo e de cicatriz basilar bastante grande que amadurece em Outubro a Novembro do mesmo ano, solitária ou agrupada em duas ou três, tem pedúnculo curto (até 2 cm) e grosso  que suporta uma cúpula tomentosa e coberta de escamas imbricadas, cinzento-aveludadas.

Frutifica a partir dos 20 anos.

Gomos: as gemas ovóides, aglomeradas por 3 a 5 juntas ao gomo terminal, cobertas de escamas tomentosas acinzentadas, têm entre 4 a 6 mm.

Ritidoma: este é primeiro liso, pardo a cinzento-enegrecido, delgado ou pouco espesso que passa a ser grosso, com fendas longitudinais cinzento-claro com a idade.

 

Habitat: espécie atlântica de plena luz, robusta, aprecia atmosfera e solos húmidos, embora possa viver em condições mais desfavoráveis como sucede no norte interior de Portugal, onde os Verões são bastante secos. Calcífuga, prefere solos soltos, de textura arenosa, graníticos ou xistosos. Boa adaptação à altitude, indo até 1500 m ou mais, suportando bem o frio, a neve e as geadas.

Vive para além dos 150 anos.

Propagação: propaga-se por semente, por rebentos, pois o seu sistema de raízes laterais têm a faculdade de se alongar e de emitir numerosos pimpolhos, que constituem um eficiente modo de propagação vegetativa da espécie (empobrecendo a mesma geneticamente), também renova bem pelo cepo. Forma densas manchas arbustivas, sem intervenção humana.


 

Distribuição geográfica: originário do Sudoeste da Europa e Norte de África. É espontâneo na Península Ibérica, no Sudoeste francês (com clima francamente atlântico) e Norte de Marrocos.

Em Portugal: é frequente no interior Norte. Está localizado a norte do Rio Douro, na região de Trás-os-Montes, Beira montanhosa, Alto Douro, nas Serras de Ossa, Monfurado, Nogueira e Sintra. É no nosso País que se encontra a maior área do carvalho-negral ainda existente.

 

Usos: em muitas zonas do País é ainda aproveitado para produção de lenha. Os povoamentos são conduzidos em regime de talhadia, utilização tradicional entre nós desta espécie.

A madeira com qualidade média é utilizada em tanoaria, marcenaria e em pavimentos (tacos, soalho), assim como na produção de carvão. Rica em tanino.

 

 

As utilizações do carvalho-negral

As suas folhas servem de forragem aos animais domésticos quando a erva rareia. Contrariamente ao que se diz, observa-se também, que quando o carvalho-negral cresce livremente sem acção humana, possui um fuste bem definido e erecto.

O carvalho-negral é considerado como pouco produtivo, pois a sua madeira tem fraco aproveitamento segundo os padrões económicos actuais. O critério económico não é a única norma! Outras razões, estas ainda hoje pouco consideradas e não rentáveis, segundo os mesmos critérios económicos, como a necessidade de preservar a diversidade biológica dos ecossistemas florestais, onde o seu papel se torna importante, contribuindo para:

– Proteger o solo contra a erosão e preservar a fertilidade do mesmo;

– Diminuir os riscos de incêndio (este tipo de folhosa, afrouxa ou impede o fogo de se propagar);

– Permitir a continuidade da economia tradicional e abrir outras perspectivas de produção;

– Preservar a paisagem tradicional ou natural…

 

Bosques de Carvalho-Negral

Os bosques monoespecíficos de carvalho-negral ou carvalho-pardo-da-beira (Quercus pyrenaica) são característicos das vertentes viradas ao Rio Côa. A acção do Homem através o uso do fogo, cortes, pastoreio e agricultura reduziu esta comunidade a manchas dispersas, algumas de dimensão considerável mas normalmente abertas devido ao fogo, confinadas aos locais mais frescos e húmidos.
Ocorrem com frequência no seu sob-coberto espécies arbustivas e ricas em biodiversidade, tais como a giesteira-das-serras (Cytisus striatus), o tojo-gadanho (Genista falcata), o trovisco-fêmea (Daphne gnidium), a urze-vermelha (Erica australis), o endemismo ibérico denominado rosa-albardeira (Paeonia broteroi), cogumelos, musgos, etc.