Quercus robur – Carvalho-alvarinho, Carvalho-roble

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Carvalho-alvarinho

 

Família: FAGACEAE

Nome científico: Quercus robur L.

Publicação: 1753

Grupo: folhosa caduca

Nomes vernáculos: carvalho-alvarinho, carvalho-roble, alvarinho, roble, carvalho, carvalheira, carvalho-comum, carvalho-nacional

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Hábito: árvore caducifólia e monóica de grande porte 25 a 40 m, podendo alcançar excepcionalmente os 50 m se encontrar condições óptimas; apresenta copa ampla, larga e globosa, não muito densa sobre um alto fuste erecto e grosso, a partir do qual partem vigorosas e angulosas pernadas horizontais; raminhos sinuosos acinzentados e glabros; no início do Verão é comum brotarem novos raminhos, cujas folhas são muito sensíveis ao oídio; ritidoma cinzento-acastanhado e fendido por profundos sulcos longitudinais com a idade.

 

Folhas: agrupadas em ramalhetes, são alternas, simples, quase sésseis, grandes limbos com 6 a 12 cm por 3 a 6 cm de largura, bordo ondulado, obovadas, penatilobadas, com 3 a 8 pares de lóbulos irregulares, arredondados; glabras nas duas páginas desde novas, primeiro verde-claras, depois verde-escuro na página superior e verde-claro-azulado mate na inferior com nervuras bem salientes; têm dois pequenos lóbulos em forma de aurículas na base do limbo que envolvem um curto pecíolo de 0,2 a 0,7 cm de comprimento. Coloração acobreada no Outono antes da caírem.

Flores: as inflorescência unissexuais ocorrem simultaneamente com o romper das folhas entre finais de Março e Maio, com floração feminina e masculina desfasadas, de forma a evitar a auto-fecundação, já que a espécie é monóica. As flores masculinas em amentilhos verde-amarelados filiformes de 5 a 13 cm; as femininas são pequenas, arredondadas, pouco vistosas, com três estigmas de cor púrpura, agrupadas de 1 a 5 sobre um pedúnculo no extremo dos raminhos.

Frutos: bolota longamente pedunculada de 5 a 11 cm, ovóide‑cilíndrica de 2 a 4 cm de comprimento; envolvida apenas na base por uma cúpula subaplanada com escamas aplicadas ovado-triangulares, imbricadas e soldadas; atinge a maturação no mesmo ano entre Setembro e Outubro.

Frutifica a partir dos 35-40 anos, sendo mais regular a partir dos 50-60 anos.

Gomos: cónico-ovóides, cobertos de numerosas escamas glabras castanho-claras agrupados por 3-5 no extremo dos raminhos, ou isolados ao longo destes.

Ritidoma: inicialmente acinzentado-claro, liso e brilhante até aos 20-30 anos; torna-se com a maturidade grosso e escamoso-gretado, com sulcos longitudinais regulares, profundos de cor cinzento‑acastanhado-escuro.

 

Habitat: árvore de plena luz de crescimento lento que exige climas húmidos, oceânicos, sem secura estival prolongada; embora indiferente à constituição mineral do solo, prefere-os férteis, ricos em humidade, profundos e soltos. É uma essência que obtém o seu desenvolvimento máximo em baixas altitudes como planícies, vales e colinas em bosques mistos de folhosas; embora cresça até 800-1000 m de altitude, de possuir alguma resistência ao frio, não é uma árvore de montanha. Possui um poderoso sistema radicular pivotante, forma raízes secundárias bastante profundas que lhe conferem grande capacidade de resistência ao vento.

Vegeta até 800-1000 m de altitude

Vive de 500 a 1000 anos e mais.

Propagação: propaga-se por semente, renova da cepa e da toiça até 60-80 anos se boa exposição à luminosidade.

 

Distribuição geográfica: carvalho presente em quase toda a Europa, daí o seu nome carvalho-comum; vai do Atlântico aos montes Urais, excepto nas zonas extremas do norte e sul do continente; encontra-se igualmente na parte ocidental da Ásia, cordilheira do Cáucaso e Norte da Turquia.

Em Portugal: espécie espontânea no nosso País, onde encontra o limite sudoeste da sua distribuição natural. É espécie dominante dos carvalhais do Noroeste de Portugal, encontrando-se nas províncias do Minho, Douro Litoral e Beira Litoral, onde domina o clima de tipo oceânico; aparece isolado, disperso em pequenos núcleos ou em bosques de importância como no Parque Nacional da Peneda-Gerês.


 

Usos: O seu fuste recto, permite o produção da mais nobre das madeiras de todos os carvalhos, dura, resistente, imputrescível, pesada, de grão fino e com anéis de crescimento muito bem demarcados. É utilizada em marcenaria, soalhos, construção naval, tanoaria, ferramentas, artesanato e construção de casas. Todas estas características levaram os europeus a procurar esta valiosa madeira, o que em muito contribuiu para o desaparecimento de vastas áreas deste carvalhal na Europa, especialmente em Portugal.

O alvarinho uma espécie florestal por excelência

Excelente espécie florestal que raramente se encontra em povoamentos puros. O seu inúmero cortejo arbóreo vai do bordo, da aveleira, do carvalho-negral (Quercus pyrenaica)… em Portugal, ao carvalho-alvar ou carvalho-de-flores-sésseis (Quercus petraea), noutras partes da Europa, nomeadamente França e Bélgica, podendo hibridar com estas e mais quercíneas. O carvalho-roble constitui magníficos bosques caducifólios mistos; criando um “ecossistema carvalhal” suportando um grande número de formas de vida onde desempenha um importante papel na sobrevivência de quantidade de animais e de plantas, sendo todas as suas partes utilizadas, folhas, casca, raízes, podem abrigar aves, insectos, invertebrados (larvas), musgos, fungos, etc. As suas bolotas são comestíveis e apreciados por mamíferos e aves, constituindo uma grande fonte de alimento; também serviu na alimentação humana durante a pré-história.

Os híbridos do alvarinho

Como muitas outras quercíneas o carvalho-alvarinho tem alguma tendência à hibridação com outras espécies do mesmo género, o que dificulta o estabelecimento claro da sua área de distribuição. Alguns autores consideram que existe variedades dentro da espécie. Em Portugal  híbrida-se com a Quercus pyrenaica e produz híbridos férteis designados por Quercus x andegavensis Hy; híbrida também com Quercus faginea, produzindo Quercus x coutinhoi, cujas folhas têm lobos arredondados curtos levemente agudos.

O Carvalho-alvarinho nas culturas europeias

Este carvalho teve uma importância de relevo nas culturas europeias passadas e presentes. Uma das mais fortes imagens que permanece na memória colectiva dos europeus são as assembleias e práticas de druidas sob a frondosa folhagem dos alvarinhos. Mais tarde, o cristianismo “converteu” colossais robles centenários, com fuste de vários metros de circunferência em capelas. Durante  o período medieval, quando a aristocracia começou a justificar o seu poder social, muitas famílias nobres não hesitaram em solicitar falsas genealogias de ascendência divina. Algumas escolheram representar as folhas e as bolotas do carvalho-alvarinho nos seus brasões e armas. Por dupla analogia, apoderavam-se simbolicamente do prestigio da divindade à qual era consagrado o roble como Zeus, Júpiter e Dagda, (deus celta cuja reminiscência perdurava numa Europa em vias de total cristianização) e da força que emerge desta bela e poderosa árvore.

O alvarinho na toponímia

É possível ver bosques desta espécie no Parque Nacional Peneda-Gerês, no Parque biológico de Monsanto em Lisboa e na restante área natural, onde persiste na toponímia e nos apelidos a importância desta espécie relacionada com a vida das populações. Citamos alguns topónimos mais comuns: Carvalha, Carvalhas, Carvalhal, Carvalheda, Carvalhelhos, Carvalhiça, Carvalhido, Carvalho, Carvalhos, Carvalhosa, Reboredo, Roboredo, Robledo e demais.