Sorbus aucuparia – Tramazeira, Cornogodinho

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Tramazeira, Cornogodinho, Sorveira-brava

 

Família: ROSACEAE

Nome científico: Sorbus aucuparia L.

Publicação: 1753

Grupo: folhosa caduca

Nomes vernáculos: tramazeira, cornogodinho, sorveira-brava, sorveira-dos-passarinhos, escancerejo

Hábito: árvore ou arbusto de folha decídua até 15 m ou mais, geralmente entre 5 e 10 m; copa arredondada a oval, ou irregular pouco densa; um só tronco, ou vários caules rectos; ritidoma liso, acinzentado com numerosas lentículas, tornando-se depois mais acastanhado e ligeiramente fendido; pernadas ascendentes; raminhos jovens acinzentados a purpúreo-acastanhados e pubescentes, glabros depois, com abundantes lentículas.

 

Folhas: caducas, alternas, pecioladas, compostas, imparipenadas com 10-20 cm de comprimento por 15-12 de largura; 5 a 7-8 pares de folíolos estreitos quase sésseis, havendo um menor no ápex da folha; cada com 2,5 a 6 cm por 2 cm de largura, oblongo-lanceolados, margens serrilhadas, (podem coexistir numa mesma árvore folíolos com a margem parcialmente lisa), com páginas tomentosas ao desabrochar; a inferior verde-acinzentada e a superior verde-escuro mate, torna-se glabra após a floração. Cores outonais do amarelo ao vermelho.

Flores: floração branca em Maio e Junho (Julho) de flores hermafroditas, dispostas em corimbos compostos, terminais, de 7 a 12,5 cm de largura, pouco ramificados e tomentosos primeiro; flores com pedicelo lanoso de 8-10 mm de diâmetro com receptáculo tomentoso; 5 pétalas até 5 mm, livres, glabras; sépalas com a face externa tomentosa; ovário com 2-5 carpelos unidos na parte inferior, 2-5 estilos livres; 16-20 estames com anteras esbranquiçadas. As flores da tramazeira têm um cheiro desagradável. O Seu néctar é rico em frutose e glicose.

Frutos: abundante frutificação de pomos subglobosos de 8 a 10 mm de diâmetro; agrupados em densos cachos; amadurecem de Agosto a Outubro. De verde, passam a laranja e por fim, ficam escarlate brilhante; contendo 1 a 6 sementes. Os frutos, coroados pelas sépalas, persistem na árvore depois da queda das folhas; servem de alimento às aves como melros, tordos e pequenos mamíferos, raposas, texugos e esquilos que “em troca” disseminam a espécie.

Gomos: gemas geralmente castanho-púrpuro até 1,7 cm, fusiformes, agudas; com 2-4 escamas muito tomentosas sem viscosidade.

Ritidoma: ritidoma cinzento, liso e brilhante, com lentículas salientes quando juvenil; torna-se cinzento-claro, ligeiramente rugoso que se exfolia em pequenas placas com a idade.

 

Habitat: árvore rústica de plena luz a semi-sombra; desenvolve-se principalmente em solos moderadamente secos a moderadamente húmidos, pobres em nutrientes, arenosos e soltos. Frequentemente cresce em solos pedregosos, argilosos, arenosos ou turfosos; mas crescimento optimizado em substratos férteis, profundos, frescos, soltos e siliciosos, é intolerante aos alagados, salinos e com demasiado calcário. Têm um sistema radicular profundo e de longo alcance; regenera bem após o corte. Excelente resistência ao vento, à neve e ao frio, suporta temperaturas superiores a 30°C negativos; ocorre até altitudes de 2200-2400 m, aceita período de vegetação curta. Como espécie pioneira, é encontrada em orlas de bosques caducifólios e pinhais, por vezes em zonas abertas e matagais, pois as suas sementes germinam facilmente; tem um crescimento rápido durante os primeiros anos, abrandando depois. As folhas decompõem-se rapidamente o que favorece a formação de húmus.

Resiste à poluição urbana.

Propagação: por semente, por pimpolhos, ou rebentos de touça. Crescimento vigoroso durante os primeiros 20 anos; robusta, mas fraca longevidade média que vai dos 80 aos 120 anos.

Frutifica quase todos os anos a partir de 10-15 anos.

 

Distribuição geográfica: toda a Europa até à Sibéria, abunda no centro do continente, ilhas da Islândia e da Gronelândia; Cáucaso, Ásia menor, norte do Irão; norte de África. Nas latitudes a norte cresce em andares basais a montanos, enquanto no sul cresce em andares montanhosos. Abundante no norte da Península Ibérica, rareia no sul e na faixa ocidental.

Em Portugal: ocorre nas regiões montanhosas, onde é espontânea acima de 1000 m. Comum nas maiores altitudes das serras do Norte e Centro: Beira Alta, Beira Baixa, Minho e Trás-os-Montes nomeadamente nas serras do Gerês, Cabreira, Larouco, Montesinho, Roboredo, Gardunha e Estrela, onde chega aos 2000 m. Pode também ser cultivada florestalmente.


 

Usos: a tramazeira é uma espécie, como aliás todas as outras árvores da mesma família, com grande interesse florestal. A sua madeira de textura fina é branca ou rosada, compacta, dura, resistente e acetinada com um belo polido. Tem uma densidade de 688 a 734 kg / m3. É utilizada por torneiros, marceneiros e escultores, assim como no fabrico de peças sujeitas a desgaste (fusos e cabos de ferramentas).

É igualmente uma árvore ornamental, muito esbelta. A folhagem leve que oferece uma sombra aprazível; os decorativos ramalhetes de flores brancas, e sobretudo os rutilantes cachos de frutos vermelhos, que permanecem durante a folhagem dourada do Outono e em seguida, durante o Inverno, enquanto as aves não os comem. Existem diversos cultivares ou variedades no comércio que pode adquirir e plantar no seu jardim: ‘Asplenifolia’, ‘Edulis’, ‘Fastigiata’…

 

 

os pomos da tramazeira alimento da fauna

Se para as aves e pequenos mamíferos os frutos da tramazeira são um pitéu, não é o caso dos humanos, que para beneficiar dos pequenos pomos cor de coral têm de os transformar, cozinhando-os. Crus são adstringentes e amargos (alguns autores dizem que consumidos em excesso tornam-se tóxicos). A polpa dos pomos de cornogodinho contém carotenóides, ácido cítrico, ácido málico, ácido parassórbico, pectina, provitamina A, sorbitol, tanino e vitamina C e por conseguinte é antiescorbútica. Com eles podem-se preparar compotas, doces e geleias. Também servem para fabricar certas bebidas alcoólicas, nos países do norte, como aguardente e vodka, que ao que parece é excelente!

Durante o próximo Outono, se for às serras do Centro e do Norte ao encontrar uma tramazeira não toque nos frutos, deixe-os para a fauna, que bem precisa deles. Porque nós temos fruta deliciosa que engenheiros agrónomos seleccionaram com o fim de abastecer o circuito da grande distribuição dos hipermercados, especialmente cultivada a pensar em si, na sua família e amigos, mas repleta de química!

Estes pomos e outras bagas têm grande valor alimentar na conservação da fauna; pois 31 espécies de mamíferos e 72 espécies de insectos, incluindo 41 lepidópteras e doze gorgulhos. Um total de 63 aves e 20 espécies de mamíferos foram identificados como os consumidores do fruto da sorveira-brava. Parte destes bichinhos, em volta participam na propagação da tramazeira que além de todas as qualidades já listadas, tem também aquela de proteger as pastagens de altitude, pois fixa o solo através as suas raízes profundas e potentes Tudo isto sem grandes exigências e por fim, resiste à poluição de que somos os grandes provedores

Deixe a tramazeira com os seus frutos cor de escarlate durante a estação invernal, para alimento da vida selvagem dos tordos, melros e texugos…

 

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O Cornogodinho e os Celtas

Os celtas, que por cá criaram cepa e legaram-nos alguns genes, tinham por tradição de plantar cornogodinhos nos seus recintos sagrados, tais como oráculos e templos. Plantavam também a tramazeira próximo de suas casas para afastar os maus espíritos e bruxas. Ainda hoje na céltica Irlanda, a sorva-brava é considerada uma árvore de protecção contra o corisco (relâmpago) e feitiçaria. As suas bagas premidas sobre uma ferida, curam, e se forem consumidas, segundo a tradição popular, prolongam a vida por mais um ano!

 

 

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