Smilax aspera – Salsaparrilha

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Sambucus nigra – Sabugueiro
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Sorbus aria – Mostajeiro-branco
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Salsaparrilha

 

Família: SMILACACEAE

Nome científico: Smilax aspera L.

Publicação: 1753

Grupo: folhosa perene

Nomes vernáculos: salsaparrilha, salsaparrilha-do-reino, alegra-cão, alegra-campo, recama, salsaparrilha-bastarda, salsaparrilha-indígena, sarçaparrilha, alegação, legação

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Hábito: liana perene frequentemente emaranhada, com caules cilíndricos lenhosos, finos e sarmentosos que podem atingir 10-15 m, rastejantes ou trepadores, angulosos e providos de acúleos. Rizomas tuberiformes e alongados.

 

 

Folhas:  folhas alternas, grandes, persistentes, coriáceas, pecioladas, mostram grande plasticidade morfológica, mas geralmente cordiformes, por vezes lanceoladas, sagitadas ou triangulares, oblongas ou ovado-lanceoladas (raramente reniformes), aculeadas, glabras e verde-escuras brilhantes, ocasionalmente manchadas de branco, com margens lisas ou adornadas de espinhos aduncos; o limbo tem um veio central com 5 a 7 nervuras pseudo-paralelas unindo-se no ápice; possui duas estípulas transformadas em gavinhas na base do pecíolo, junto aos nós, não ramificadas, muito enroladas, podendo faltar em algumas formas.

Flores: floresce de Agosto a Novembro. Racemo axilar ou terminal de umbelas sésseis e simples, agrupando 5 a 30 flores, pequenas, branco-creme com laivos rosados. As masculinas com 6 estames livres proeminentes inseridos na base do perianto e anteras esbranquiçadas; as femininas com ovário triloculado e três estigmas sésseis.

Frutos: como espécie dióica, só os pés femininos têm frutos que maturam entre Fevereiro e Abril, tendo o aspecto de um cacho de bagas globosas ou subglobosas, inicialmente vermelhas, depois quase negras com 8 a 10 mm na maturação; contêm 1 a 3 sementes arredondadas, lisas ou ligeiramente rugosas, avermelhadas e brilhantes.

Gomos:

Ritidoma: verde e estriado, glabro, geralmente dotado de espinhos rectos ou curvos.

 

Habitat: prospera em quase todo o tipo de substrato e em locais sombrios ou soalheiros, requerendo no entanto alguma humidade. Tolera temperaturas até -10C.

Encontra-se no sul da Península Ibérica em sebes, muros, margens de campos, azinhais, sobreirais, carvalhais, bosques ripícolas, pinhais, matagais e diversos tipos de coberto vegetal degradado.

Vegeta até 1000 m.

Vive para além de 20 anos.

Propagação: propaga-se por semente, regenera bem pela raiz, por divisão do rizoma.

 

Distribuição geográfica: espontânea em climas mediterrânicos, quentes com alguma humidade, é comum no Sul da Europa, Oeste da Ásia até à Índia, norte e zonas tropicais da África e Macaronésia (excepto Cabo Verde).

Em Portugal: é comum nas províncias do Sul, toda a Estremadura, Ribatejo, Beira Litoral, parte Sul da Beira Baixa, Oeste do Douro Litoral e Minho, mas ausente do Interior Norte e Centro.

 

Usos: pode ser utilizada como planta ornamental. O efeito das suas flores brancas odorosas e depois das bagas sucessivamente vermelhas e negras, levam esta liana volúvel a tapar e a decorar um muro sem graça.

A parte utilizada da salsaparrilha é o rizoma, também aromático, pelas suas propriedades depurativas e diuréticas.

 

A salsaparrilha apresenta um grau respeitável de toxicidade, as bagas sobretudo não devem ser ingeridas.

Como trepadeira, necessita geralmente de um tutor ou suporte, onde se possa fixar e prosperar. O que é possível observar no meio natural, onde trepa facilmente pelos arbustos vizinhos, formando com estes um denso emaranhamento.

 

A salsaparrilha da Madeira

 

A salsaparrilha endémica da ilha da Madeira (Smilax pendulina), tem folhas verde-claro, baças ou pouco brilhantes, de consistência sub-rígida sem espinhos. Os frutos, bagas redondas, são avermelhados quando maduros. Encontra-se sobretudo na laurissilva.

… e a salsaparrilha dos Açores

 

Smilax azorica, raro endemismo do Arquipélago dos Açores, onde pode ser vista também na laurissilva.

Pode aceder às fotos desta espécie copiando a seguinte morada web:

http://gardenbreizh.org/photos/karlostachys/photo-413412.html