Rhododendron ponticum – Rododendro, Adelfeira

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Rododendro - Adelfeira - Loendro

 

Família: ERICACEAE

Nome científico: Rhododendron ponticum subsp. baeticum (Boiss. & Reut.) Hand.-Mazz.

Publicação: 1909

Grupo: folhosa perene

Nomes vernáculos: rododendro, adelfeira, loendro, redondouro, adelfa, loendreira

Hábito: arbusto perenifólio, com porte erecto, com um ou vários caules desde a base, copa densa, arredondada ou irregular, de 2 a 4 m podendo atingir 5 metros de altura; ramos glabros, castanho-esverdeados, erectos ou patentes; ramagem e folhagem verde-escuro.

 

Folhas: folhas persistentes, coriáceas, simples, elípticas ou lanceoladas de 6 a 16 cm de comprimento, margens inteiras, glabras, alternas com pecíolo curto, verde-escuras e lustrosas na página superior, verde-pálidas na página inferior com nervuras secundárias paralelas de cada lado da nervura central bem saliente.

Flores: abundante floração corimbiforme roxa, cor-de-rosa ou violáceo-purpúrea, de 20 e mais flores hermafroditas em inflorescências cónicas com longos pedicelos, entre meados de Março e princípios de Junho; têm corola campaniforme, afunilada, grande com 4-6 cm de diâmetro, composta por 5 pétalas sendo a superior salpicada de manchas acastanhadas; os filetes dos 10 estames arqueados são vilosos até ao meio.

O desenvolvimento vegetativo máximo do rododendro ocorre entre o momento do pico de floração e poucas semanas depois de concluída.

Frutos: cápsula cilíndrica até 3 cm, glabra, de 5 válvulas que atinge maturidade no Outono – final de Outubro a início de Novembro – liberta numerosas sementes oblongo-ovóide com cerca de 1-1,5 mm de comprimento.

Gomos: notar que os gomos reprodutivos (os que contêm os embriões das flores) são maiores que os gomos vegetativos (contêm os embriões das folhas). Outra particularidade é que os gomos terminais são escamosos e ovóides, enquanto que os gomos axilares são fusiformes e cobertos de duas pré-folhas escamiformes.

Ritidoma: primeiro liso, tornando-se com o tempo ligeiramente gretado longitudinalmente, de cor castanho-acinzentado ou algo vermelho; os ramos jovens são glabros e verdes.

 

Habitat: espécie de clima marcadamente atlântico, de meia-sombra que tolera bem a plena-luz, cálcifuga, prospera em solos ácidos, siliciosos, profundos e húmidos (pH entre 4 e 6); surge em bosques muito húmidos, matos ripícolas, margens dos rios, ribeiros e vales abrigados.

Ocorre entre 300 e 950 m de altitude; possui boa resistência ao frio, indo até aos 17° C negativos.

Propagação: propaga-se por semente, por estaca ou por mergulhia, também rebenta pela touça. Floresce a partir dos 10 a 12 anos; vive para além dos 50 anos

 

Distribuição geográfica: a subespécie Rhododendron ponticum subsp. baeticum, é endémica do oeste e sul da Península Ibérica. Em Espanha, ocupa vastas áreas no Parque Natural de Los Alcornocales, província de Cádiz.

Em Portugal: é uma relíquia rara da floresta laurissilva do Terciário; a maior mancha de rododendro encontra-se na Reserva Botânica do Cambarinho, ocupando uma área de 24 hectares na Serra do Caramulo. Também está presente na Serra de Monchique e nos arredores de Odeceixe.


 

Usos: madeira sem utilização conhecida. Planta que devido à sua abundante floração roxa, está a despertar interesse como arbusto ornamental em parques públicos e jardins particulares.

Resiste à poluição.

 

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 RESERVA BOTÂNICA DE CAMBARINHO – PROTEGER OS RODODENDROS

A Reserva Botânica de Cambarinho é a mais importante estação de loendros do País, que tem por objectivo a protecção do “Rhododendron ponticum L, subsp baeticum” e faz parte da rede de Biótopos do Programa CORINE. Encontra-se integrada na Lista Nacional de Sítios da Rede Natura 2000. A área sob protecção tem 24 hectares e encontra-se entre os 400 m e os 850 m de altitude na vertente norte da Serra do Caramulo, abrangendo parte da bacia hidrográfica do ribeiro de Cambarinho, afluente do rio Alfusqueiro.

Os solos são ácidos, o clima tem características atlânticas, com pluviosidade superior a 2000 mm. anuais. A cobertura vegetal é sobretudo de cariz atlântica. Predominam áreas de matos, permanecendo, no entanto, zonas de pinhal, manchas de carvalhal, áreas agrícolas, lameiros, a galeria ripícola do ribeiro de Cambarinho e os núcleos de loendros que estiveram na origem da criação da Reserva.

De notar que na Serra de Monchique, a adelfeira  compõe orlas arbustivas próprias das linhas de água encontra-se em associação com amieiro (Alnus glutinosa), com o feto real (Osmunda regalis), com a campainha-de-monchique (Campanula primulifolia) e com o samouco ou faia das ilhas (Myrica faya AIton). Enquanto que na Reserva Botânica do Cambarinho não existe uma galeria ripícola bem estruturada, sendo o matagal de rododendro praticamente mono-específico.

(Adaptado, OM)

duas zonas de distribuição disjuntas do rododendro em Portugal

As alterações climáticas do Quaternário reduziram a área da adelfeira ao norte de Portugal e às montanhas altas do sul da Península onde encontrou, as condições climáticas ideais de sobrevivência. Os rododendros destas estações peninsulares, (considerados por alguns especialistas como uma subespécie do Rhododendron ponticum), encontram-se hoje isolados uns dos outros. Isolação que levara certamente as populações locais a designar a mesma planta com vocábulos diferentes. Assim as palavra « adelfeira » ou « adelfa » são termos utilizados na Serra de Monchique e arredores para designar esta variedade de rododendro, enquanto que nas Beiras, utiliza-se na região de Oliveira de Azeméis o termo « redondouro » e na serra do Caramulo o termo « loendro » ou “loendreira”. Este nome vulgar “loendro” designa também uma outra planta muito comum em jardins públicos e particulares que é a Nerium oleander, também conhecida por “cevadilha”. Convém não as confundir pois são bem distintas tanto no aspecto, como na frequência e distribuição no território nacional.

A existência de duas subespécies de Rhododendron ponticum que possui duas zonas de distribuição distintas: região do Pôntico e oeste da Península Ibérica não é consensual entre especialistas. Apesar disso apontam-se algumas diferenças entre as duas subespécies, que são:

Rhododendron ponticum subsp. ponticum. (Turquia, Bulgária e Cáucaso). Tem pedicelos glabros e folhas de 12 a 18 cm de comprimentos,

Rhododendron ponticum subsp. baeticum (Boiss. & Reut.) Hand.-Mazz. (Espanha e Portugal). Tem pedicelos e botões pubescentes e folhas de 6 a 16 cm de comprimento.

A subespécie ibérica é considerado vulnerável na sua área de origem. No entanto O Rhododendron ponticum foi introduzido nas Ilhas Britânicas desde a segunda metade do século XVIII e em seguida no resto da Europa. Encontrou então condições climáticas satisfatórias a pontos de se tornar invasora; o que leva actualmente a Irlanda, a Inglaterra, o norte de França, e a Bélgica a campanhas de destruição deste rododendro que é acusado de diminuir as biodiversidades locais.

Todas as partes do rododendro são tóxicas. Esta característica explica a sua destruição como planta indesejável nas matas e nos campos de cultivo por parte dos proprietários de gado, embora os rebanhos, rapidamente aprendem a evitá-la.

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 MAIS DE 1000 ESPÉCIES DE  RODODENDROS

O género Rhododendron inclui cerca de 1200 espécies espalhadas em todo o globo, ainda que a maior diversidade ocorre na parte sudeste da cordilheira do Himalaia; só oito espécies subsistem na Europa. Alguns são comummente chamados rododendros (arbustos com flores grandes) e azáleas (plantas cujas flores e folhas são menores). Ambos fazem parte do mesmo género e pertencem à grande família das Ericáceas.
Entre os rododendros diferenciam-se:

– variedades precoces, com floração entre finais de Março e início de Maio,
– variedades de meia-época com floração durante Maio,
– variedades tardias com floração entre finais de Maio até finais de Julho.

Os rododendros híbridos (muito numerosos no comércio) são arbustos que normalmente podem alcançar 2 a 5 metros de altura, mas com um crescimento lento. Os rododendros gigantes, são árvores que atingem 15 metros e que se concentram essencialmente no Himalaia. Quanto aos rododendros anãos, estes não excedem um metro de altura e são ideais em pequenos jardins.

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O MEL DE RODODENDRO SEGUNDO XENOFONTE

Segundo algumas fontes, o mel das flores de rododendro asiático causaria transtornos intestinais. Assim Xenofonte (430-355 a.C.), descreve na sua obra “Anábase” o estranho comportamento de soldados gregos durante a Primavera de 401 a.C. nas montanhas de Colchis, para encontrar o Tosão de Oiro. Depois de terem comido mel de uma povoação cercada por rododendros, todos os que comeram esse mel ficaram loucos, vomitaram e perderam as forças. No dia seguinte, os gregos recuperaram a razão, e quatro dias depois, recuperam as forças. Quatro séculos depois, a mesma coisa aconteceu com o exército de Pompeu naquela região: Plínio, o Velho observou que alguns soldados foram vítimas de um mel que dá em louco. Nos dois casos tratava-se do mel de flores de Rhododendron ponticum. Mais tarde, foi reconhecido que o mel resultante desta planta possui efeitos alucinogénicos, laxantes, distúrbios do sistema nervoso, respiratório e doenças cardiovasculares.

(Adaptado, OM)