Olea europaea subsp. europaea var. europaea – Oliveira

Flores de til e página inferior com glândulas revestidas de pêlos - Ocotea foetens
Ocotea foetens – Til
1 Abril 2018
folhas pequenas e mucronadas de zambujeiro - Olea europaea subsp. oleaster var. silvestris
Olea europaea subsp. europaea var. sylvestris – Zambujeiro
28 Maio 2020

Oliveira

ABREVIADO

Com o fim do último episódio glaciar há cerca de 10.000 anos, as temperaturas aumentaram e o clima de tipo mediterrânico expandiu-se para norte da bacia mediterrânica. A vegetação acompanhou estas alterações. Entre esses vegetais, temos a oliveira, árvore típica deste clima com Invernos húmidos e suaves e, Verões quentes e secos.
Os nossos antepassados descobriram que a oliveira (ou mais provavelmente os frutos do zambujeiro, pois a oliveira é o resultado do trabalho do homem), podia ser uma fonte alimentar, o azeite. Gordura vegetal extraída dos seus frutos que são as azeitonas. Facto que cedo motivou cruzamentos e apuramentos para obter frutos de maior tamanho, originando um afastamento morfológico em relação à variedade silvestre, o zambujeiro. Assim ocorreu a domesticação da oliveira há cerca de seis milénios na bacia oriental do Mediterrâneo, mas segundo novos dados, teria sido simultânea em ambas as partes. Actualmente existiriam cerca de 2000 cultivares de oliveira.
A oliveira além de produzir azeitonas, continua a exercer fascínio estético em nós. O verde prateado das folhas e os idosos troncos que se tornam autênticas esculturas, têm o mais belo efeito num jardim.

 

 

Família: OLEACEAE

Nome científico: Olea europaea subsp. europaea var. europaea (L.)(Mill.) Lehr

Publicação: (1753),

Grupo: folhosa perene

Nomes vernáculos: oliveira,

Hábito: árvore perenifólia de porte médio, com 4 a 8 m de altura, conforme a cultivar e até 15 m de altura quando não podada. Tem crescimento lento. Apresenta uma copa ampla, redonda, ligeiramente lobulada, na qual domina o verde-acinzentado. Tronco curto, nodoso, tortuoso e grosso que tende a retorcer-se à medida que envelhece, chegando, nos mais idosos a atingir os 200 cm de diâmetro; tem ritidoma cinzento e fendilhado-reticulado. Ramos verticais, raminhos roliços, opostos, acinzentados também, rígidos, providos de numerosas lenticelas prateadas de pequenas dimensões. Toda a árvore possui o característico odor da espécie.

 

Folhas: opostas e entrecruzadas, simples, inteiras, sem estípulas; pecíolo curto de até 1,5 mm de comprimento; lâmina elíptica a lanceolada, 3–9 × 0,5–3 cm, com forma de cunha na base e ápice mucronado. Têm consistência coriácea, rígidas, verde-acinzentadas, brilhantes e glabras por cima, cinzento-esbranquiçadas e densamente escamulosas por baixo, onde a nervura central sobressai e as secundárias são pouco aparentes.

Flores: as inflorescências desenvolvem-se nas axilas das folhas dos ramos do ano anterior. As flores hermafroditas ou poligâmicas, regulares, odoríferas; agrupadas em panículas axilares de 3-8 cm de comprimento, de 10 a 40 flores. Cálice pequeno de forma tubular, corola branca, com 4 pétalas estreladas e soldadas na base; 2 estames de filetes curtos, e 2 anteras amarelas de grandes dimensões, saindo pouco do tubo da corola; estilo curto, bilobado.
A época de floração vai de Abril a Junho.

Frutos: drupa oleaginosa, carnuda, elipsóide a subglobosa, de 0,6-2 x 1-3,5 cm; verde-brilhante primeiro, demora cerca de um ano a amadurecer; torna-se depois negra, negro-roxeada, ebúrnea ou, raramente branco-marfim. Cada azeitona contém um único caroço elipsóide, castanho, estriado, de 0,9 a 1,1 cm de comprimento.
Os frutos chegam a maturação em Setembro e Outubro. Quanto à sua colheita, esta varia conforme a região do País, mas costuma iniciar-se em Novembro e prolongar-se até Janeiro.

Gomos: opostos, ovóides, levemente achatados e justapostos aos caules; pequenos até ± 5 mm, acinzentados e tomentosos, com 2 a 3 pares de escamas. As gemas apicais são maiores que as laterais.

Ritidoma: primeiro liso e cinzento a verde acinzentado, torna-se depois levemente rugoso com tonalidades pardo-amarelado; acaba por ser rugoso, fendilhar longitudinalmente e apresentar, por vezes, cavidades no tronco tortuoso e retorcido nas árvores mais “ancianas”.

 

Habitat: exigências ecológicas muito semelhantes às do zambujeiro (Olea europaea subsp. europaea var. sylvestris). A oliveira é uma árvore de plena luz, característica do clima mediterrânico com grande resistência à seca e ao calor. Desenvolve-se em encostas e planícies soalheiras. Aceita todo o tipo de substrato, inclusive os pobres e pedregosos, mas prefere os básicos e ricos em nutrientes como os argilosos profundos; a partir da raiz principal desenvolve um enraizamento lateral, muito ramificado, embora pouco profundo. Não tolera nem a humidade excessiva nem as temperaturas baixas. As variedades de oliveira cultivadas no nosso território, têm por limite as mínimas negativas de 7º C. Outras variedades do norte da bacia mediterrânica suportam até 10 a 12° C negativos durante o período de repouso vegetativo.
É cultivada até cerca de 600 metros de altitude.
Possui uma grande longevidade, podendo viver 2000 anos e mais. A oliveira mais antiga de Portugal tem, ao que parece, 3350 anos. Informaçã dada pelo jornal Público em 2017
Frutifica geralmente a partir de 10 anos, ou menos.

Propagação: a oliveira propaga-se sobretudo por via vegetativa, por enxertia, por estaca semilenhosa, chantão ou vergôntea, (método de reprodução assexuada de vegetais que consiste em enterrar uma parte do caule de uma planta no solo com o objectivo que forme raízes adventícias, gerando desta forma, uma nova planta. A plantação costuma ser feita no fim do outono, ou início da primavera). A oliveira também renova bem pelo cepo. É igualmente possível propagá-la por semente (caroço que deverá primeiro fender delicadamente), sem ter certeza de que a nova planta possua as mesmas qualidades que os genitores.

 

Distribuição geográfica: cultivada em toda a zona mediterrânica da Península Ibérica ao Médio Oriente e quase todo o norte de África, com particular destaque para Marrocos, Argélia e Tunísia.
Mais recentemente, o cultivo da oliveira tem sido difundido pelas partes do globo com clima mediterrânico, Américas (Califórnia e Chile), África do Sul, Japão, China e Austrália. Contudo, cerca de 97% das 850 milhões de oliveiras identificadas no mundo encontram-se na região do Mediterrâneo.

Em Portugal: no continente, a oliveira é tradicionalmente cultivada no centro e no Sul, assim como no vale do Douro. Contudo, os maiores olivais concentram-se a sul do Tejo, onde a monocultura do trigo tem cedido o lugar à vinha e ao olival. A partir dos anos 2000, tem-se assistido à substituição dos olivais tradicionais no Alentejo por uma olivicultura intensiva. Facto que é acentuado pela plantação de novas oliveiras na zona de influência do Alqueva que permite a olivicultura superintensiva (com cerca de 1200 oliveiras e mais, por hectare, contra 80 a 120 oliveiras na olivicultura tradicional).

 

Usos: a madeira da oliveira é dura e compacta com veios muito finos. Quando polida adquire um bonito brilho. Presta-se de forma notável para a marcenaria, tornearia e ornamentos esculpidos, ou esculturas. É igualmente usada na fabricação de pequenos utensílios domésticos, como pratos, travessas e outros objectos do quotidiano.

As oliveiras, sobretudo as centenárias ou milenares, devido às formas do tronco e da copa, são aproveitadas como plantas ornamentais em jardins públicos e privados.

A OLIVICULTURA

O principal interesse económico da oliveira é a produção de azeitonas e, por conseguinte, de azeite. O fruto pode ser utilizado para consumo inteiro, mas necessita uma transformação com sais e oxidação para poder ser ingerido pelo homem, com caroço ou descaroçado. Pode igualmente ser utilizado para extracção do azeite. Este é o valor por excelência da oliveira com utilizações muito diversas, na culinária, como combustível de luz, utilizações medicinais, preparação dos mortos outrora, como cosmético, relaxante, etc. As folhas também são usadas em chás medicinais.
De manutenção fácil, a oliveira resiste bem ao frio e ao calor extremo, à seca também, embora seja cada vez mais cultivada em regadio. De qualquer modo, a rega é importante nos meses mais quentes. Do final de Janeiro até Março é a altura em que se costuma fazer a adubação, quando a árvore se prepara para entrar no período de maior crescimento vegetativo.
Um olival deve ser mantido limpo por meio de sachas e mondas. A poda também é importante, visto que a oliveira dá frutos nos ramos do ano anterior, sendo a poda de renovação essencial. Quanto à poda de formação, tenta-se obter um tronco até cerca de um metro e ramos em forma de taça para haver uma boa penetração da luz.

 

Algumas variedades de oliveira cultivadas em Portugal

Podemos falar de variedades autóctones da oliveira nas cultivares regionais mais comummente cultivadas no nosso território. Nos anos 60 a 80 do passado século, a olivicultura conheceu uma forte baixa de produtividade passando de 90.000 toneladas nos anos 50 para 35.000 toneladas de azeitonas, nos anos 80. A partir da década 90 e sobretudo princípios deste século a olivicultura conhece um forte desenvolvimento, nomeadamente no Alentejo, onde sempre foi uma cultura tradicional.
O azeite português representa 5-7% da produção mundial, sendo reconhecido pela sua alta qualidade. Manter a tipicidade do produto é fundamental que só se pode conseguir com a utilização das variedades autóctones, em sistemas de produção tradicional ou intensivo.
Como o vinho, o azeite têm DOP (denominação de origem protegida). Os apreciadores sabem perfeitamente bem distinguir um azeite de Trás-os-Montes, de um azeite proveniente de Moura.

Segue o quadro com as variedades nacionais mais comuns de oliveira:

Nome da cultivar de oliveira

Disseminação

Utilização da cultivar

Azeiteira, Azeitoneira ou Carrasquinha Alto Alentejo e Beira Interior Conserva em verde
Arbequina ou Blanca, es Alentejo e Ribatejo Azeite
Bical de Castelo Branco ou Conserva de Elvas, Morisca, Beira Interior e Alto Alentejo Conserva e azeite
Bico de Corvo Baixo Alentejo Azeite
Blanqueta ou Branquita, Villalonga, es Alentejo e Ribatejo Azeite e conserva em verde e em preto
Borrenta ou Borraceira, Borreira Trás-os-Montes Azeite
Carrasquenha ou carrasca Alentejo e Beira Interior Azeite e conserva em verde
Carrasquenha de Elvas ou carrasca Alentejo e Beira Interior Azeite e conserva em verde
Cobrançosa, Quebrançosa ou Salgueira Trás-os-Montes, Ribatejo, Beira Alta e Alentejo Azeite e conserva em verde
Cordovil de Castelo Branco Beira Baixa Azeite e conserva em verde
Cordovil de Elvas ou Cordovil Alentejo Azeite
Cordovil de Serpa, Cordovil de Moura Alentejo Azeite e conserva em verde.
Cordovil de Trás-os-Montes Trás-os-Montes Azeite
Cornicabra Beira Alta e Trás-os-Montes Azeite
Galega vulgar, Galega, Molar, Negrucha Beira Interior, Ribatejo, Alentejo, Algarve Azeite e conserva em negro
Verdeal Alentejana, Verdeal de Serpa, Verdeal Alentejo Azeite e conserva em verde, tipo artesanal britada

Fonte: Vida Rural de Agosto de 2018 – “Sobre Cultivares de Oliveira” – https://www.vidarural.pt/sobre/cultivares-de-oliveira

 

As Azeitonas

As azeitonas não são comestíveis no seu estado natural; pelo que necessitam de ser processadas para perderem o sabor muito amargo, intragável mesmo.
Se possível, evite o consumo das azeitonas processadas industrialmente ou enlatadas, devido aos químicos que são utilizados no processo de curtição. Para quem não tem as suas próprias azeitonas, encontram-se à venda nos mercados azeitonas para curtir em casa, o que pode ser feito segundo processos artesanais e tradicionais, muito mais saudáveis.
Sabe-se que as azeitonas, embora sejam calóricas, são ricas em minerais (Cálcio, Ferro, Magnésio, Fósforo, Potássio) mas também em vitaminas A, C, E, K e do complexo B, além de possuírem forte poder antioxidante e propriedades anti-inflamatórias. Por seu lado, o azeite é dos óleos mais saudáveis para a alimentação humana e ajuda a prevenir diversos tipos de doenças.
Existem variedades mais voltadas para a produção de azeite e outras voltadas para o consumo em conserva, já que nem todas as variedades se conservam bem. Algumas das mais comuns para a produção de azeitona de mesa são a “Galega”, a “Carrasquenha”, a “Cordovil de Castelo Branco”, a “Maçanilha Algarvia” Azeitoneira, e a “Verdeal”.

 O Azeite

Nem só o bacalhau é “ o fiel amigo” dos portugueses; imaginem a nossa cozinha sem azeite, impossível! aliás, muitos dos pratos de bacalhau, como sabem, são regados de azeite, dando-lhos aquele sabor tão especial. Além de ter sido utilizado para fins médicos e religiosos, o azeite permanece um componente essencial de uma dieta saudável. Enquanto ácido gordo mono saturado, o azeite não tem o mesmo efeito para o aumento dos índices de colesterol que as outras gorduras saturadas apresentam. O azeite é também uma boa fonte de antioxidantes e  ao contrário dos óleos de sementes, mantém-se estável na sua estrutura química a temperaturas relativamente altas devido ao seu alto teor de antioxidantes e ácido oleico.
O azeite virgem (o primeiro a ser extraído), além de muito apreciado na alimentação, é aplicado medicinalmente como medicamento, pelas suas propriedades colagogas e laxantes. É ainda largamente utilizado na indústria de cosméticos e sabõe.
Para continuar a descoberta da oliveira e do azeite, pode visitar o sítio “Casa do Azeite – Associação do Azeite de Portugal, situada em Lisboa, onde encontra  breves informações sobre o azeite, receitas culinárias, etc. Apresenta também um mapa com as DOP – Denominações de Origem Protegida – dos azeites nacionais. Trata-se de uma Associação empresarial e patronal que defende os interesses dos seus associados.
O “Museu do Azeite de Bobadela“, oferece uma autêntica imersão na olivicultura, assim como provas dos diferentes azeites nacionais; os miúdos adoram.
Por fim, aconselhamos também o “Museu do Azeite, Moura“, que  está instalado no Lagar de Varas do Fojo, no município de Moura, no Alentejo.
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Em 2003, O Sistema de Classificação APG II, estabeleceu que o nome científico da oliveira, é: Olea europaea subsp. europaea var. europaea

 

 

 

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