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Maleiteira-Maior, Trovisco-Macho

MALEITEIRA-MAIOR

Quando percorro o Planalto das Cesaredas, constato que o trovisco-macho faz parte dos arbustos que ficaram para sempre gravados na memória com ligação a momentos, a pessoas, a sensações também, visuais e olfactivas. Qualquer observador pode ver as inflorescências visitadas por grande número de insectos alados ou não, geralmente minúsculos; esses mesmos insectos garantem a disseminação das sementes longe da planta mãe, depois da explosão da cápsula que projecta as numerosas sementes que são posteriormente dispersas por formigas. Neste período de constante redução das populações de insectos, o trovisco-macho é um aliado na preservação da biodiversidade.
Arbusto cespitoso com base lenhosa, provido de rizoma grosso a partir do qual se formam muitos caules erectos; porte arredondado e ramoso, folhas verde-azuladas.

 

DESCRIÇÃO

Arbusto herbáceo, perene de base lenhosa, caules erectos, marcado por cicatrizes foliares na parte inferior e ramificados na superior, podem atingir 180 cm de altura por outro tanto de largura. Folhas glaucas, lineares, flores verde-amareladas, com nectários castanhos-escuros, ou amarelos. Toda a planta tem cheiro fétido.

Folhas caulinares, alternas, sésseis, inteiras, uninervadas, de lanceoladas a lineares, com 15-130 x 4-17 mm; margens revolutas, atenuadas na base e agudas no ápice, mucronadas, espessas; verde-glauca na página superior e esbranquiçadas na inferior. As folhas persistem no Inverno.

Inflorescência cimosa formando uma pseudo-umbela com 10-20 raios, bracteada, complexa, cuja unidade básica é uma pseudoflor, cíato hermafrodita, igualmente bracteado com 2 brácteas ovadas, fundidas na base, coroado por 4-5 nectários semilunares, vermelho-escuros a negros; cada cíato possui cerca de 10 flores masculinas nuas, reduzidas a um estame, dispostas em torno de uma flor feminina nua, central e pedicelada. A floração ocorre de Janeiro a Julho, com maior incidência em Março.

O fruto é uma cápsula trilocular densamente pubescente de 4 x 7 mm, com pedicelo de 2,5 mm; contêm dezenas de sementes lisas, ovóides e prateadas com 1,5-2 mm com carúncula amarela, que atrai as formigas disseminadoras.

O ritidoma na parte inferior do caule é nu, avermelhado com numerosas cicatrizes devidas à queda das folhas, enquanto na parte superior do mesmo é verde e folhudo.

 

ECOLOGIA

O trovisco-macho, prefere terras solarengas e secas, visto a sua resistência a logos períodos de seca, no entanto, também medra em locais umbrosos com alguma humidade. Ocorre em orlas de bosques, matagais e matos. Em locais abertos, pedregosos, frequentemente alterados ou pastoreados, prados secos mediterrânicos e bordas de caminhos. Desenvolve-se em diversos tipos de substrato, mas com preferências por solos calcários. Ocorre de 0 a cerca de 300 (700) m de altitude. Suporta temperaturas até -5° C. Fraca longevidade 2 a 3 anos.

Reproduz-se por sementes e por estaca com rizoma, preconiza-se a plantação da estaca depois do látex da extremidade secar.

 

 DISTRIBUIÇ­ÃO

Espécie nativa do Mediterrâneo ocidental: Portugal, Espanha, França, Itália e Creta; Norte de África: Marrocos e Líbia. Encontra-se naturalizada nas Ilhas Baleares, Inglaterra, Argentina e Nova Zelândia.

Em Portugal continental, encontra-se principalmente em três zonas distintas, Trás-os-Montes, Litoral Centro e Oeste do Algarve.

USOS

maleiteira-maior, planta ornamental

Como o trovisco (Daphne gnidium), a maleiteira-maior possui igualmente potencial ornamental por explorar, além de ambas serem assiduamente frequentadas por insectos. A folhagem verde a verde-azulado sobre os caules avermelhados; as inflorescências em que domina o verde-claro, com os nectários vermelho-escuro a negro, ou amarelo, o porte arredondado e elegante, são elementos estéticos que proporcionam ao titímalo-maior, um arranjo em maciços arbustivos, num jardim pequeno, cascalhoso, sóbrio e harmonioso. Exige pouca manutenção e pouca água, assim como um substrato de preferência básico, pobre em matéria orgânica e bem drenado.

 

ADICIONAL

duas subespécies de maleiteira-maior em redor do Mediterrâneo

Existem duas subespécies Euphorbia characias na bacia do Mediterrâneo. Na parte ocidental ocorre a subespécie Euphorbia characias subsp. characias, que como vimos é a subespécie que existe no território português; enquanto na parte oriental é a subespécie Euphorbia characias subsp. wulfenii. Esta última, distingue-se da primeira pelas seguintes características: inflorescências maiores, nectários menores, flores amarelas com um odor agradável. As quatro fotografias que seguem são de Euphorbia characias subsp. wulfenii.

Euphorbia characias subsp. wulfeniiEuphorbia characias subsp. wulfeniiEuphorbia characias subsp. wulfeniiEuphorbia characias subsp. wulfenii

 

o cíato, uma inflrescência própria das eufórbias

No género Euphorbia, as flores são reduzidas em tamanho e agregadas num aglomerado de flores chamado cíato. Esta característica está presente em todas as espécies do género, que não partilha com nenhuma outra planta.
Os cíatos são geralmente verdes ou verde-amarelados, com nectários esverdeados, amarelos ou castanho-avermelhados. Os cíatos agrupam-se em estruturas umbeliformes simples ou compostas que surgem do centro das rosetas foliares. As brácteas que acompanham o cíato surgem em grupos de duas, são opostas, geralmente mais longas que largas, verdes ou verde-amareladas, e são livres na base.

 

Toda a planta é tóxica e irritante; a sua ingestão é altamente desaconselhável. No entanto, na medicina popular o látex é utilizado, nomeadamente no combate às verrugas. O género Euphorbia possui nas zonas desertas, espécies com caules muito suculentos e folhas reduzidas a espinhos que são confundidas com cactos.

 

Família: EUPHORBIACEAE

Nome científico: Euphorbia characias subsp. characias L.

Publicação: 1753

Grupo: folhosa perene

Nomes vernáculos: maleiteira-maior, trovisco-macho, titímalo-maior, erva-leiteira-das-areias, trovisco

 

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