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Figueira-do-Inferno, Alhendros

FIGUEIRA-DO-INFERNO

A figueira-do-inferno é um endemismo do arquipélago da Madeira. É um grande arbusto de 2 metros ou mais que se encontra frequentemente nas encostas do litoral sul da ilha, sobre solos pedregosos e esqueléticos, entre o nível do mar e cerca de 300 m, embora ascenda a altitudes mais elevadas através de algumas ravinas e encostas. Ocorre também nas ilhas do Porto Santo e Desertas. Perfeitamente adaptada a condições de falta de água e de temperaturas mais elevadas, a figueira-do-inferno constitui comunidades de vegetação secundária, que se desenvolvem após a perturbação das florestas do zambujal.

 

 DESCRIÇÃO

Arbusto de copa geralmente arredondada, até 2 m de altura, raramente 4 m; um ou vários troncos glabros, acinzentados que nos indivíduos mais velhos tornam-se acastanhados; caules suculentos muito ramificados, inferiormente sem folhas, estas dispostas no ápice dos ramos.

Folhas sésseis, alternas, inteiras, margens amareladas; folhas linear-lanceoladas ou linear-oblongas, de 25-70 x 4-10 mm; ápice agudo; lisas, glaucas ou verde-acinzentadas na página superior e mais pálida na página inferior com a nervura central aparente. As folhas agrupadas na extremidade dos ramos em roseta, são decíduas no Verão.

Flores pequenas, agrupadas em inflorescências umbeladas simples ou composta, com 5-6 raios, brácteas obovadas e mucronadas, cíato hermafrodita, igualmente bracteado, coroado por 5 glândulas ou nectários ovados, de ápice emarginado com dois bicos nas extremidades, de cor verde-amarelo a vermelho escuro; cada cíato possui 2-3 flores masculinas nuas, reduzidas a um estame, dispostas em torno de uma flor feminina central e pedicelada, nua com os estigmas claramente visíveis. A floração ocorre de Janeiro a Agosto. As flores são polinizadas por moscas e outros insectos atraídos pela substância secretada pelos nectários.

O fruto é uma cápsula um tanto esférica, de 6 x 7-8 mm e dividida em três valvas, dura, lisa e glabra; primeiro verde, torna-se avermelhada na maturidade. Pequenas sementes oblongo-ovóide, com cerca de 4 mm de comprimento, são carunculadas e de cor castanho-escuro a preto.

O caule principal até 20 cm de diâmetro, tem ritidoma primeiro acinzentado e liso, torna-se com a idade espesso, rugoso e castanho-acinzentado; os ramos e rebentos suculentos apresentam-se lisos e verdes, passando a verdes-acastanhados, marcados por cicatrizes foliares.

 

ECOLOGIA

A figueira-do-inferno ocorre conjuntamente com o cortejo da vegetação termófila e xerofítica no Zambujal; esta floresta muito degradada, ocupa as altitudes mais baixas, quentes e de menor pluviosidade do arquipélago, indo do nível do mar até cerca de 300 m de altitude. É vulgar em locais secos, pedregosos, em solos esqueléticos, como falésias costeiras, ou zonas perturbadas, sob clima subtropical com temperaturas entre 18 e 24° C., não é uma eufórbia rústica.

Por semente ou por estaquia dos segmentos.

 

 DISTRIBUIÇ­ÃO

A figueira-do-inferno é endémica do arquipélago da Madeira. Abunda localmente nos rochedos das regiões baixas perto do mar (costa sul), entre 0 e 300 (600) m de altitude na ilha da Madeira, nos picos mais altos e nas regiões baixas da ilha do Porto Santo e na ilha Deserta Grande, mas ausente nas ilhas Selvagens.
A sua área de ocorrência está parcialmente incluída no Parque Natural da Madeira, Reserva Natural das Ilhas Desertas e sete sítios na rede Natura 2000 (Achadas da Cruz, Pináculo, Ponta de São Lourenço, Moledos, Ilhas Desertas, os ilhéus do Porto Santo, Pico Branco – Porto Santo. Recentemente, a rede Natura 2000 foi aumentada para incluir mais áreas desta espécie. A figueira-do-inferno é considerada como abundante na ilha principal, mas apresenta redução na distribuição e fragmentação da sua população. É provável que haja mais de 10.000 indivíduos maduros e acredita-se que a população seja estável, que segundo a avaliação da IUCN de 2016 coloca a figueira-do-inferno na categoria de risco baixo de extinção, ou pouco preocupante.

 

USOS

Ornamental

A figueira-do-inferno, como as outras eufórbias aqui apresentadas, tem o seu lugar num jardim das regiões mais quentes do continente, e na Madeira obviamente. É pouco exigente quanto ao tipo de substrato, mas exige-o bem drenado.

ADICIONAL

a eufórbia-de-gomes-pedro é um endemismo da Serra da Arrábida

O género Euphorbia tem cerca de 2000 espécies anuais, bianuais, herbáceas, arbustos, árvores e plantas suculentas. Muitas são nativas das zonas de clima temperado. Só em Portugal continental e insular existem cerca de 50 espécies, sendo uma delas, a eufórbia-de-gomes-pedro (Euphorbia pedroi), um endemismo raro e exclusivo que existe unicamente entre o Cabo Espichel e Sesimbra, na Serra da Arrábida.
Clique na ligação flora-on.pt para ver a ficha e imagens da eufórbia-de-gomes-pedro.

 

Planta tóxica e irritante; evitar contacto físico com a seiva leitosa (látex), que pode danificar a pele ou mesmo causar cegueira se atingir os olhos.

Família: EUPHORBIACEAE

Nome científico: Euphorbia piscatoria Aiton

Publicação: 1789

Grupo: folhosa caduca

Nomes vernáculos: figueira-do-inferno, alhendros

 

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