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Cornalheira, Terebinto

ABREVIADO

A cornalheira ou terebinto é um grande arbusto ou uma pequena árvore, geralmente com altura inferior a 6 metros. O nome popular de «cornalheira», alude às galhas proeminentes em forma de corno de cabra, provocadas pela picadela de um pulgão. O terebinto contenta-se de locais secos, pedregosos, pobres; terras sem interesse para agricultura. No entanto, para provar a sua existência, as folhas caducas e compostas da cornalheira, alegram as arribas e encostas quentes no Outono; mas antes, já quando o Verão vai no seu termo, são os frutos coralinos primeiro, cinza-esverdeados ou azulados em seguida e por fim, anegrados, que animam os ternos verdes da vegetação circundante.

Como a aroeira (Pistacia lentiscus), o terebinto também é generoso em perfumes e resinas que os homens utilizam desde tempos remotos para seu prazer e proveito.

 

Família: ANACARDIACEAE

Nome científico: Pistacia terebinthus L.

Publicação: 1753

Grupo: folhosa caduca

Nomes vernáculos: cornalheira, terebinto

Hábito: arbusto ou pequena árvore de folha caduca geralmente inferior a 6 m, podendo atingir 10 m de altura; possui copa larga, aberta, arredondada ou irregular, densamente ramificada desde a base. Raminhos esverdeados ou avermelhados resiníferos, com lenticelas claras; ramos cinzento-acastanhados; um ou vários troncos curtos, cobertos por ritidoma acinzentado e glabro, acaba por fender em placas rectangulares pardo-cinzentas com a idade. Toda a planta exala um forte odor resinoso.


 

Folhas: alternas, compostas, imparipinuladas, glabras, com pecíolo e ráquis não alados. Folíolos opostos, inteiros, sésseis, de contorno ovado a elíptico, mucronados, com a base acunheada; espessos, de textura coriácea, em número ímpar (até 11), com 2-8 cm de comprimento e 1-3,5 cm de largura, sendo o terminal idêntico ou maior que os laterais; nervuras acentuadas e pálidas. Página superior verde-escuro e brilhante e a inferior mate e verde-pálido, mas avermelhadas no início da folheação.
As folhas da cornalheira no Outono ficam amarelo intenso ou vermelho, antes de caírem.

Flores: inflorescência dióica, disposta em grandes panículas compostas e densas, até 20 cm de comprimento, pedunculadas nas axilas das folhas, com as quais aparecem concomitantemente. Flores sem pétalas, púrpuras ou acastanhadas; as masculinas têm um cálice e um nectário, 5 sépalas, 5 estames e grandes anteras vermelhas; as femininas sem corola também, com um cálice fendido em 3 ou 4 lóbulos e um estilete curto rematado por 3 estigmas.
Floração de Março a Maio. Atinge maturidade, por volta dos 10 anos.

Frutos: drupa obovóide, do tamanho de uma ervilha, pouco carnuda; com 5-7 x 4-6 mm, agrupadas em cachos; coralina no início, depois cinza-esverdeada e anegrada na maturação que vai de Agosto a Outubro; cada drupa contém uma única semente achatada.
As drupas são comestíveis, mas sem grande interesse gustativo.

Gomos: alternos, ovóides, castanho-avermelhados com 4 escamas lisas e glabras, orladas de branco.

Ritidoma: ritidoma juvenil castanho-acinzentado, glabro, com lenticelas lineares longitudinais e claras; com a idade acaba por se tornar pardo e fendilha em finas placas.

 

Habitat: indiferente ao tipo de solo com grande adaptabilidade a substratos pobres, secos, pedregosos, cascalhentos, quer estes sejam básicos ou ácidos. Espécie da flora mediterrânica, adaptada à seca e ao calor estival; procura a plena exposição solar, mas aceita a sombra leve. Ocorre em bosques e matos mediterrânicos abertos, matagais, encostas secas e rochosas; prefere altitudes inferiores a 600 m (podendo subir até aos 1500 metros); suporta bem as geadas e o frio, até -10 °C.

Arbusto de crescimento lento, com longevidade superior a 100 anos.

 

Propagação: por semente, estaca ou chanta (de Maio a Junho), rebenta de touça.


 

Distribuição geográfica: arbusto nativo da bacia do Mediterrâneo: norte de África, Próximo Oriente e Europa mediterrânica. Presente em quase toda a P. Ibérica, excepto nas províncias do noroeste.

Em Portugal: em Portugal ocorre em três manchas descontínuas: distritos interiores dos vales do Douro e do Tejo e quase todo o Algarve. Contrariamente à aroeira (Pistacia lentiscus) é inexistente na faixa costeira.

 

Usos: o terebinto é um interessante arbusto ornamental. As flores púrpuras em panículas de ambos os sexos, os frutos coralinos a cinzento-esverdeados ou anegrados e por fim, as folhas de um amarelo ou vermelho luminosos fazem deste grande arbusto um elemento a destacar num pequeno ou grande jardim. No seu meio natural, pode ser visto com as suas belas cores outonais, nas arribas do Douro onde ocupa largas manchas.

A madeira dura, considerada de qualidade excepcional, tem um cerne avermelhado que pode adquirir um bonito polido. Qualidades procuradas em marcenaria e marchetaria, assim como no fabrico de pequenos objectos decorativos.

Das fendas do tronco flui uma resina branca, muito odorosa, que entre nós não se aproveita. Esta resina solidifica ao contacto com o ar e é explorada na região mediterrânica oriental sob o nome de “terebintina de Quios”. Resina com várias aplicações, quer medicinais, quer na indústria química, nomeadamente em diluentes ou vernizes. Também é utilizada em vinhos e molhos.

Os frutos, como é o caso dos outros membros do género, também são comestíveis. As pequenas amêndoas, possuem um sabor levemente azedo e delas se extraí um óleo.

 

 

As galhas da Cornalheira

O nome popular “cornalheira”, provem das galhas compridas, pontiagudas, que apresentam o aspecto de uma vagem, ou vulgarmente de um “corno”, que pode chegar aos 20 cm de comprimento. Estas galhas são provocadas pela picadela de um pulgão (Aphis pistaciae), que produz também matéria vermelha com a qual se tingia a lã.

 

 

Como distinguir a Cornalheira da Aroeira

A cornalheira distingue-se da aroeira pelas folhas imparipinuladas, com 3 a 9 folíolos, mais largos, além de ser caduca.

 

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