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Alindres, Figueira-do-Inferno, Alendros

ALINDRES

O alindres é um grande arbusto ou pequena árvore endémica da Macaronésia. É frequente no arquipélago da Madeira e escasso nas Canárias, com uma população em diminuição, que medidas tomadas pelas autoridades locais, tentam travar e cujos nomes em espanhol são tabaiba de monte ou, adelfa. No seu habitat e em condições optimais pode atingir 15 m de altura, mas geralmente de 3-5 m a 8-10 m de altura. O tronco fino, ramifica-se amplamente na sua extremidade, originando uma copa em forma de guarda-sol, adornada pelas numerosas flores das quais exala um agradável aroma a mel.

 

DESCRIÇÃO

Espécie arbustiva com porte arredondado, de 2 a 8 metros de altura, normalmente com um único tronco, recto, fino e lenhoso; folhas verde-garrafa em roseta no extremo dos ramos difusos; cíatos vermelho-purpúreos a castanho-alaranjados; frutos verdes, esféricos e tuberculados.

Folhas subsésseis, alternas, inteiras, com nervura principal de cor creme; estreitamente lanceoladas, com 12-20 (30) x 2-3 (5) cm; ápice mucronado; lisas, verde-brilhantes na página superior e mais pálida com uma ligeira pubescência ao longo da nervura central, na página inferior. As folhas agrupadas na extremidade dos ramos em roseta, persistem no Inverno.

Flores pequenas, agrupadas em inflorescências terminais até 12 cm de comprimento, com 5 raios, brácteas obovadas, cíato hermafrodita, igualmente bracteado, coroado por 5 nectários ovados, vermelho-purpúreos ou alaranjados com margem pálida; cada cíato com cerca de 6,5 milímetros de comprimento e obovado, possui várias flores masculinas nuas, reduzidas a um estame, dispostas em torno de uma flor feminina nua, central e pedicelada. A floração ocorre de Fevereiro a Julho. As flores são polinizadas por moscas e outros dípteros atraídos pelas substâncias secretadas pelos nectários ou glândulas.

O fruto é uma cápsula um tanto esférica, com até 1 cm de diâmetro e dividida em três valvas, dura, tuberculada e glabra. As 2 ou 4 sementes com cerca de 4 mm de comprimento, lisas e ovóides, amarelo-acastanhadas e carunculadas, são expelidas a grande distância, até 8 m, pela explosão dos frutos maduros, facilitando a dispersão da espécie.

O ritidoma do tronco é espesso, rugoso e acinzentado, enquanto nas plantas jovens, os ramos e rebentos apresentam-se lisos e verdes.

 

ECOLOGIA

O alindres tem preferência por locais húmidos e umbrosos, ao longo de linhas de água, riachos e levadas, em clareiras ou zonas perturbadas ou ainda sob a folhagem da floresta da Laurissilva, com menor desenvolvimento da planta; aprecia também zonas rochosas como ravinas sob o mar de nuvens, onde alguns indivíduos atingem alturas consideráveis. Ocorre entre 400 e 1100 m de altitude. Longevidade desconhecida no meio natural. Planta rústica, as folhas resistem até -5° C, de 6 a 9 graus negativos, a parte aérea da planta morre, mas rebenta na Primavera seguinte; o alindres morre definitivamente para além de -10° C.

Por semente sobretudo, ocasionalmente por estaca.

 

 DISTRIBUIÇ­ÃO

Trata-se de um endemismo da Madeira e Canárias. Segundo a IUCN, a última avaliação de 2016, indica uma diminuição da população canariense de alindres. Actualmente está presente nas ilhas de La Palma, La Gomera e Tenerife com cerca de 130 indivíduos. A espécie avaliada como “criticamente em perigo”, levou o governo do arquipélago a tomar medidas de gestão, de conservação e de reintrodução desde 2013.

Na Madeira, a situação da figueira-do-inferno, parece menos preocupante, pois segundo a mesma fonte da IUCN de 2016, existem cerca de 1000 indivíduos.
É possível ver exemplares de alindres selvagens, em Tabua (concelho de Ribeira Brava), em Paúl do Mar (concelho de Calheta), em Santana e em escarpas litorais na Ponta de São Lorenço .

 

USOS

alindres, planta ornamental

Possui potencial ornamental entre nós, que os ingleses cedo souberam aproveitar. O alindres ornamenta muitos jardins ingleses e irlandeses, sem se tornar invasor (até agora!). A folhagem atinge o seu ápice estético no Inverno de climas frios, quando assume tonalidades vermelho-alaranjadas muito atraentes.

 

ADICIONAL

Planta tóxica e irritante; evitar contacto físico, pois pode causar irritação da pele ou reacção alérgica, sobretudo o látex.

 

 

Família: EUPHORBIACEAE

Nome científico: Euphorbia mellifera Aiton

Publicação: 1789

Grupo: folhosa perene

Nomes vernáculos: alindres, figueira-do-inferno, alendros, alhendros

 

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